Ele diz que gosta de mim.
Diz com a voz firme, com os olhos que às vezes parecem sinceros, com promessas que soam bonitas no momento certo. E eu quero acreditar. Quero mesmo. Porque gostar de alguém que nos diz gostar de nós deveria ser suficiente para aquecer o coração.
Mas não é.
Porque o amor não vive só nas palavras, vive no espaço que se cria. E, na vida dele, eu nunca encontro espaço.
Há sempre algo antes de mim. Sempre uma urgência maior, uma prioridade mais importante, um compromisso que me empurra para depois. Eu fico no intervalo. No tempo que sobra. No canto da agenda onde cabem as sobras do dia.
E isso dói de um jeito que não sei explicar sem chorar.
Não quero ser o centro do mundo dele. Só queria ser parte dele. Queria sentir que há um lugar preparado para mim, não improvisado. Que quando ele pensa no futuro, eu não sou um detalhe opcional. Que quando ele organiza a vida, eu não sou o que se encaixa se houver tempo.
Ele diz que gosta…
mas gostar não deveria fazer alguém sentir-se invisível.
Às vezes choro em silêncio, perguntando-me se o problema sou eu. Se estou a pedir demais ao querer ser escolhida. Ao querer ser assumida como prioridade, como certeza, como presença constante. E não como visita eventual.
Porque gostar de alguém que não tem espaço para nós é como tentar morar numa casa onde nunca nos dão a chave. Podemos até entrar às vezes… mas nunca pertencemos de verdade.
E eu estou cansada de bater à porta de um amor que diz que me quer mas nunca abre espaço para eu ficar.

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"Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar"