sábado, 7 de março de 2026



Eu estou cansada.
Cansada de gostar como se o amor fosse sempre urgente dentro de mim, como se cada gesto tivesse de carregar o peso de tudo aquilo que sinto. Cansada de dar cem por cento, sempre, mesmo quando o silêncio do outro devolve apenas metade… ou às vezes nada.
Eu sei gostar. Sei cuidar, esperar, compreender, insistir quando tudo parece difícil. Sempre acreditei que o amor era isso: permanecer, tentar outra vez, abrir o coração mesmo quando ele já está cheio de cicatrizes.
Mas ultimamente sinto-me cansada de ser sempre eu.
Cansada de esperar por mensagens que não chegam com a mesma vontade com que eu escrevo as minhas. Cansada de sentir que aquilo que dou vem de um lugar profundo… enquanto aquilo que recebo parece vir apenas da superfície.
Não é falta de amor. Talvez seja exatamente amor a mais.
Porque quando se gosta assim, com tudo, cada ausência pesa mais. Cada espera parece mais longa. Cada dúvida faz mais barulho dentro do peito. E eu já esperei tanto!
Esperei que um dia alguém olhasse para mim com a mesma intensidade com que eu olho. Que alguém escolhesse ficar com a mesma certeza com que eu escolho sempre.
Mas hoje… pela primeira vez… sinto que já não quero esperar.
Não porque deixei de acreditar no amor.
Mas porque finalmente comecei a perceber que também mereço recebê-lo inteiro.

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"Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar"