sábado, 7 de março de 2026



O silêncio entre eles era quase palpável, como se cada segundo estivesse carregado de algo que crescia, quente e inevitável. Ela aproximou-se lentamente, os olhos brilhavam com um misto de desafio e desejo.
Sabes o que fazes comigo? disse ele em voz baixa.
Ela sorriu de lado, aquele sorriso lento que parecia acender algo dentro dele. Não respondeu com palavras. Apenas deixou a mão deslizar pelo braço dele, devagar, sentindo a pele arrepiar sob o toque. O olhar dele seguiu cada movimento, cada gesto calculado, cada aproximação. Quando ela finalmente ficou diante dele, tão perto que podiam sentir a respiração um do outro, o mundo ao redor pareceu desaparecer.
Ele levantou a mão e tocou o rosto dela com cuidado, como se quisesse memorizar cada detalhe. Os dedos deslizaram até a linha do queixo, e ela fechou os olhos por um instante, deixando escapar um suspiro suave.
Estás a brincar com fogo… murmurou ele.
- Talvez… respondeu ela, aproximando-se ainda mais.
O calor entre os dois crescia a cada segundo. Os corpos quase colados, a tensão vibrando no ar, cada respiração mais profunda que a anterior. Quando os lábios deles finalmente se encontraram, foi lento no início, um toque suave, explorando, provocando.
Mas logo a calma desapareceu. O beijo tornou-se mais intenso, mais urgente, como se ambos estivessem a segurar um desejo que já não queria esperar. As mãos dele encontraram a cintura dela, puxando-a para perto, enquanto ela se agarrava aos ombros dele.
E naquele momento, tudo o resto deixou de existir. Apenas dois corações acelerados, dois corpos próximos… e uma paixão que crescia sem pedir permissão. 


Ser mulher é carregar muitos mundos dentro do mesmo coração.
É ser mãe com um amor que protege, guia e nunca se esgota.
É ser filha, guardar nas raízes a força de quem nos ensinou a caminhar.
É ser irmã, partilhar risos, segredos e cumplicidades que o tempo não apaga.
É ser companheira, amar, cuidar e caminhar lado a lado, construir sonhos todos os dias, mesmo nos mais difíceis.
Ser mulher é ser força e ternura ao mesmo tempo.
É cair e levantar, sentir muito e ainda assim continuar a dar amor.
Ser mulher com um coração cheio de histórias, coragem e carinho.


Eu estou cansada.
Cansada de gostar como se o amor fosse sempre urgente dentro de mim, como se cada gesto tivesse de carregar o peso de tudo aquilo que sinto. Cansada de dar cem por cento, sempre, mesmo quando o silêncio do outro devolve apenas metade… ou às vezes nada.
Eu sei gostar. Sei cuidar, esperar, compreender, insistir quando tudo parece difícil. Sempre acreditei que o amor era isso: permanecer, tentar outra vez, abrir o coração mesmo quando ele já está cheio de cicatrizes.
Mas ultimamente sinto-me cansada de ser sempre eu.
Cansada de esperar por mensagens que não chegam com a mesma vontade com que eu escrevo as minhas. Cansada de sentir que aquilo que dou vem de um lugar profundo… enquanto aquilo que recebo parece vir apenas da superfície.
Não é falta de amor. Talvez seja exatamente amor a mais.
Porque quando se gosta assim, com tudo, cada ausência pesa mais. Cada espera parece mais longa. Cada dúvida faz mais barulho dentro do peito. E eu já esperei tanto!
Esperei que um dia alguém olhasse para mim com a mesma intensidade com que eu olho. Que alguém escolhesse ficar com a mesma certeza com que eu escolho sempre.
Mas hoje… pela primeira vez… sinto que já não quero esperar.
Não porque deixei de acreditar no amor.
Mas porque finalmente comecei a perceber que também mereço recebê-lo inteiro.